terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Curva do Destino ou, a arte de se fazer bom cinema!

Primeiramente peço desculpas a todas as pessoas que me seguem e também pela demora. Atualmente o tempo tem sido meu inimigo. Escola, aulas, reuniões, a publicação de um conto, etc. Porém, o mais importante é que estou aqui. E escrevendo sobre filmes (a chama não pode se apagar).
O Filme de hoje é um Noir, chamado Curva do Destino de Edgar G. Ulmer. Diretor Austríaco da Paramount que produziu mais de 100 filmes e, mesmo assim, se tornou notório na história da 7ª arte. Sabemos que os filmes do estilo noir são, no geral, tramas cheias de reviravoltas, mocinhos, bandidos, o mundo ingrato do submundo levado aos extremos. Curva do Destino seguiria o mesmo caminho, se não fosse por um pequeno diferencial.

A História começa com Al Roberts, pianista de clubes noturnos americanos que para em um bar e, enquanto bebe, acaba se sentindo incomodado devido a uma música que tocam. Demonstrando um caráter extemamente desagradável dentro do ambiente causando estranhamento nas pessoas do local. Nesse momento ocorre uma sequencia em Flashback que irá no contar a história desse homem.
O que poderia ser mostrado como um assassino, ou um fugitivo suspeito, dá lugar a um homem que vive da noite, porém solitário, idealista por excelência pretende se casar com uma moça (a mesma tem o sonho de ser cantora em Hollywood).


Passado um tempo na trama vemos que o mundo de Al Roberts se desmorona, sua namorada consegue ir para Hollywood. Sem ação, Al Roberts começa cair em desgraça, entregue a bebida passa seu tempo vagando pelas ruas.
Al Roberts resolve apostar todas as fichas em sua amada, e resolve ir até Hollywood em busca dela. No caminho encontra um homem que conta sobre sua vida, este estranho homem morre acidentalmente e Al Roberts assume sua identidade.
Começa aí uma longa e contínua sequencia de eventos catastróficos na vida do personagem principal. Edgar g. Ulmer traça paralelamente uma curiosa crítica ao American Way of Life e em especial, a indústria dos sonhos, da qual ele nunca fez parte.
Edgar Ulmer mostra que é possível fazer bom cinema com muito pouco e, acima de tudo nos ensina a ser inventivo. Uma trama pretensiosa e perfeita, precisa em seus argumentos. Nos passa por meio de belas imagens um estudo preciso de como era a vida dos marginais nos E.U.A., como a música contribui para a formação de identidade social do artista em especial indo para um viés mais sociológico, neste caso o Jazz dos guetos (tocado por um branco).